Faz parte da natureza humana contar histórias. Desde a antiguidade, através das pinturas nas cavernas, passando pelos vitrais coloridos das grandes catedrais. Nossos pais usavam Polaroid. Hoje, usamos Instagram. A Realidade Virtual chega para mudar novamente a forma como as histórias são contadas e como as mantemos na memória.

Como o storytelling em Realidade Virtual está começando, é natural que busque as narrativas de outras mídias já consolidadas como o cinema e o teatro. À medida que produtores vão testando e experimentando, a Realidade Virtual ganhará sua independência em questão de formato e de possibilidades.

 

Como contar histórias é diferente em Realidade Virtual

Até hoje, nossas mídias estavam restritas ao mundo em 2D. As telas de computadores, celulares, jornais, revistas e TV’s todos projetam em uma área plana. A Realidade Virtual muda isso e permite a imersão do espectador. Fotos e vídeos imersivos causam reações mais profundas do que a tela comum.

A forma como absorvemos conteúdo em outras mídias é como ir ao museu e analisar as pinturas em detalhes. Com a Realidade Virtual é como ser criança no playground. Exploramos os arredores, descobrindo como as coisas funcionam no nosso próprio ritmo.

Apesar da liberdade do espectador, é preciso ter um certo grau de orientação para que não se sinta perdido e um modo de sair do vídeo ou jogo.

O projeto brasileiro A Linha, sobre o qual já falamos aqui, foi o vencedor na categoria Realidade Virtual no Festival de Veneza e virou a maior atração da Mostra de Cinema de São Paulo leva o storytelling muito a sério. Segundo o diretor Ricardo Laganaro ao site UOL “A gente queria criar essa sensação de ownership [propriedade], em que a história se torna sua e você tem que se mexer para chegar nela”.

Há muitas possibilidades para o uso da Realidade Virtual e estamos testemunhando uma nova forma de contar histórias e só o tempo para nos contar como será.